Trajano: O enfeitiçador do tempo

No conto O Imortal, de Machado de Assis, o personagem Rui de Leão tornou-se imortal após tomar o elixir da imortalidade, recebido de seu sogro, que era pajé; tendo vivido mais de 250 anos, quando se fartou da vida.

O caríssimo camarada Trajano Jardim, mestre de todos nós, por certo, não bebeu do elixir que fez Rui de Leão imortal. Mas, como nasceu em Colatina-ES, outrora habitada por índios Botocudos (Krenak), com certeza deles recebeu néctar especial, que enfeitiçou o tempo, de modo a não permitir que os anos o fizessem arquear, mantendo-se firme, ereto, jovial e com memória e ideias prodigiosas pelas décadas afora.

Considerando que só a palmeira buriti tem tanta vida longeva, podendo chegar facilmente aos 400 anos em pleno vigor; é de se concluir que o néctar que faz o camarada Trajano sempre jovem, apesar dos anos, que já chegaram a 90, foi extraído do buriti. Em assim sendo, ele ainda tem pelo menos mais 310 anos de vida, cheia de vigor e jovialidade. Que assim seja!

Para além de enfeitiçar o tempo, o camarada Trajano enfeitiça a todos que com ele convivemos. Nele, sobejam todas as qualidades positivas terminadas em “ade”, tais como serenidade, generosidade, bondade, lealdade, solidariedade, combatividade e amizade.

Igualmente, são-lhe fartas as que terminam em “ão”, como determinação, dedicação, abnegação e resolução. E ainda as que terminam em “ência”, dentre outras: resistência, resiliência, paciência e prudência, sempre que cabíveis e não firam princípios, que, para ele, são intransigíveis.

O nome que recebeu fora talhado para sua personalidade e opção de vida: Trajano remonta sua origem ao Deus romano Janus, do início e do fim – alfa e ômega, em grego; Deus das mudanças e das transições. Tudo que sempre o moveu, move e moverá, em busca da igualdade e da justiça.

Jardim, além de conduzir à natural beleza de plantas e flores, encerra a ideia de paz e descanso, que só se concretizam onde há igualdade e fraternidade.

A tenacidade do camarada Trajano chegou antes dele. Por isso, pode-se afirmar que seu nascimento a três dias do Dia da Árvore e a quatro da chegada da primavera, a mais bela estação do ano, não foi mera coincidência. Foi, com certeza, fruto de sua tenacidade.

E mais: para que não pairasse dúvida alguma, desde seu nascimento, sobre a ideologia que o conduziria pela vida toda, nasceu 65 dias antes da Intentona Comunista, que foi de 23 a 27 de setembro de 1935.

Sem favor algum, o camarada Trajano pode fazer seu o brado do lendário personagem da Idade Média, magistralmente retratado por Goethe, Fausto:
“Os vestígios de meus dias, na Terra passados, nem em milênios serão apagados.”

Camarada Trajano, vida longa e exitosa, cheia de ensinamentos e incessante busca pelo templo novo, que seja o pedestal do povo, com o qual sonhamos, desde tempos imemoriais, para nós, e pelo qual vivemos, como fizera o revolucionário poeta Castro Alves, em seu imortal poema O Século.

Porvir é o socialismo! Jamais duvidemos: quem sempre vence é o porvir.

Fraterno abraço, camarada, mestre, amigo e irmão!